Principais lesões bucais em crianças




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Além dos aspectos clínicos, os relatos sintomáticos e a história da lesão bucal em crianças são fundamentais para um diagnóstico seguro. Porém esses dados, quando reportados pelo paciente infantil, não são muito confiáveis, devido à dificuldade das crianças em descrever sensações e detalhes do desenvolvimento da lesão.

Em virtude da importância do diagnóstico precoce para o estabelecimento de um tratamento adequado, o objetivo deste trabalho é apresentar as principais alterações em tecido mole da cavidade bucal frequentemente observadas em crianças, com exceção das doenças gengivais e periodontais.

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Mucocele

O tipo mais comum de mucocele encontrado em crianças é o cisto de extravasamento de muco que é causado pela ruptura do ducto de uma glândula salivar menor associada à história de trauma ou mordida no lábio, bochecha ou língua.

Dentre as lesões que acometem o tecido mole da cavidade bucal, o mucocele é a mais comum e é encontrada em crianças de diversas faixas etárias , apesar de ser raramente reportada em bebês


Infecção primária pelo vírus herpes simples (HSV)

Infecções pelo vírus herpes simples (HSV) são frequentemente encontradas em humanos, sendo este o maior causador de infecções virais na boca. Dois tipos de infecções pelo HSV têm sido identificados: HSV-1, usualmente relacionado a doenças bucais; e HSV-2, mais associado com infecções genitais e do recém-nascido(16), embora muitas vezes o tipo 2 seja identificado em boca e o tipo 1 em herpes genital(17).

A infecção pelo HSV no recém-nascido, durante o parto, pode gerar doenças na pele, olhos, boca, encefalites ou infecção sistêmica disseminada(18); no entanto, é mais comum o primeiro contato com o HSV ocorrer na infância, através do contato direto com gotículas de saliva ou com a própria lesão de outra criança ou adulto infectado, podendo manifestar-se de forma aguda ou subclínica(19).


Herpes recorrente

A infecção recorrente pelo HSV é causada pela reativação do vírus que após infecção primária permanece latente no gânglio do nervo trigêmeo. A reativação dá-se em seguida a estímulos como exposição excessiva ao sol, resfriados, trauma mecânico local, estresse, período menstrual e imunossupressão.

O herpes labial é o tipo mais frequente de herpes recorrente, embora lesões intrabucais possam ocorrer em palato duro ou gengiva, uma vez que as lesões recorrentes são limitadas à mucosa queratinizada. O diagnóstico de herpes recorrente raramente apresenta dúvidas, já que a história do paciente confirma a suspeita clínica e as lesões intrabucais podem ser distinguidas de úlceras aftosas recidivantes através de sua localização anatômica(23).

Esta lesão se caracteriza por pequenas vesículas, rodeadas por uma área eritematosa, na pele adjacente ao contorno labial.

Língua geográfica

A língua geográfica, também denominada de eritema migratório e glossite migratória benigna, é uma condição patológica de etiologia ainda obscura, caracterizada clinicamente por áreas avermelhadas irregulares, semelhantes a úlceras, distribuídas no dorso ou borda lateral da língua e associadas com perda das papilas filiformes. Essas áreas tendem a mudar de localização, formato e tamanho em minutos, horas ou na recorrência das lesões, produzindo o efeito migratório da língua geográfica que é caracterizada por períodos de exacerbação e remissão.

É uma das lesões mais comuns observadas no exame clínico da língua das crianças, embora apresente baixa incidência quando comparada às outras lesões bucais. O diagnóstico diferencial de língua geográfica nas crianças deve incluir candidose atrófica, trauma localizado e neutropenia grave.

Esta lesão não apresenta sintomatologia dolorosa, na maioria dos pacientes e trata-se de uma patologia benigna, sem maiores consequências. Durante o período de exacerbação as lesões podem provocar desconforto, ardor, sensação de corpo estranho e inflamação dos linfonodos submandibulares(30). Nestes casos, faz-se necessário apenas o controle ou tratamento sintomático, através de soluções anestésicas tópicas, anti-histamínicos e enxaguatórios bucais(21). Segundo Assimakopoulos et al.(29) (2002), deve-se recomendar aos pacientes que evitem fatores locais que possam exacerbar tais sintomas, como os alimentos muito quentes, picantes ou ácidos e as nozes secas e salgadas.


Úlcera aftosa recidivante

A ulceração aftosa recidivante é classificada, de acordo com as características clínicas, em ulceração aftosa comum, periadenite mucosa necrótica recidivante ou ulceração herpetiforme. A forma mais comum e frequentemente encontrada em crianças é a ulceração aftosa comum(31), caracterizada por úlceras rasas, com menos de 5 mm de diâmetro, forma arredondada ou ovalada, apresentando uma pseudomembrana amarelo-esbranquiçada, envolvida por um halo eritematoso

O diagnóstico da ulceração aftosa comum é baseado nos aspectos clínicos e na história do paciente, sendo o local da úlcera um importante dado para o diagnóstico diferencial com a ulceração intra-oral recidivante, que é causada pelo vírus herpes simplex e acomete mucosas adjacentes ao tecido ósseo, como palato e gengiva e geralmente é unilateral.

Candidose

A Candida albicans é uma espécie de fungo encontrada em alta proporção na cavidade bucal de indivíduos saudáveis, podendo tornar-se patogênica diante de uma alteração sistêmica ou local, capaz de reduzir a resistência imune do hospedeiro(43). Dentre os fatores predisponentes se destacam a infecção pelo HIV(48) e a utilização de antibióticos de amplo espectro, esteróides, corticosteróides ou drogas psicotrópicas



Cisto de erupção

Essa lesão, localizada somente em tecido mole, é formada pelo acúmulo de fluido tissular dentro do espaço folicular ao redor da coroa de um dente em erupção, sendo difícil de detectar radiograficamente. Clinicamente se apresenta como uma região intumescida na mucosa da crista alveolar, de coloração semelhante ao tecido normal, não apresentando sintomatologia dolorosa.

Os principais fatores responsáveis pela indução do cisto de erupção ainda não estão bem definidos.

Apesar da dificuldade em se realizar o diagnóstico de lesões bucais, devido à pouca informação obtida do paciente infantil durante a anamnese, à semelhança clínica das lesões e à presença de infecções secundárias, esse estudo fornece informações para auxiliar o profissional no diagnóstico das principais lesões de tecido mole que acometem crianças e na indicação dos cuidados e tratamentos adequados.


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