Treinamento muscular na face e a Fonoaudiologia






O fonoaudiólogo utiliza duas formas de trabalho para modificações musculares: a mioterapia e a terapia miofuncional. Na mioterapia, ocorre a atuação específica no músculo que se quer modificar, utilizando-se exercícios isotônicos e/ou isométricos. Na terapia miofuncional, trabalha-se diretamente com as funções que se quer adequar atingindo com isto a modificação muscular. Apesar de a terapia miofuncional parecer mais rápida e eficiente, é reconhecida a importância de exercícios específicos em determinados momentos.
A prática de exercícios é desenvolvida por meio de contrações de diversos grupos musculares. Os músculos esqueléticos apresentam dois tipos básicos de contração: a isotônica e a isométrica, conforme a mobilidade dos pontos de fixação deste músculo. Uma contração muscular, na qual uma extremidade do músculo está fixa e outra móvel, contra uma força constante é denominada isotônica. Por outro lado, quando as duas extremidades musculares estão fixas, impossibilitando a variação do comprimento muscular, temos uma contração denominada isométrica. A grande maioria das contrações não é puramente isométrica ou isotônica, mas sim um padrão misto das duas.

De acordo com o American College of Sports Medicine, o treinamento físico corporal e a prática de exercícios consistem basicamente na aplicação de sobrecargas aos sistemas músculo-esquelético, cardiovascular e endócrino com o principal objetivo de ganho de força e consequentemente melhora da função dos músculos. Sobrecarga deve ser entendida como uma solicitação de função acima dos níveis de repouso, sendo, portanto, uma situação de estresse que leva à desestruturação tecidual, consumo de substratos energéticos, de enzimas e de outras substâncias essenciais, comprometendo a homeostase. Sabe-se que sobrecargas excessivas em intensidade ou volume podem levar a lesões ou disfunções, mas no caso do treinamento físico bem orientado, as sobrecargas são bem dosadas, progressivas e intermitentes.

Os músculos faciais são músculos esqueléticos, porém possuem particularidades que os diferem e merecem especial atenção no planejamento terapêutico. Diferentemente dos demais músculos esqueléticos, não possuem fusos musculares. Possuem, ainda, unidades motoras pequenas, tendo uma relação de 25 fibras musculares por motoneurônio, o que permite maior complexidade de movimento. Entretanto, devido à proximidade e ao pequeno tamanho dos músculos faciais, se torna difícil a contração isolada. Sendo assim, o uso de técnicas de exercícios não específicos para a musculatura facial não seria eficaz no tratamento das alterações desses músculos, sendo de fundamental importância um tratamento com maior especificidade e adaptação às características únicas dos músculos da face.

O fonoaudiólogo deve conhecer as potencialidades e as limitações orgânicas e funcionais capazes de ampliar ou limitar as possibilidades de tratamento. O sucesso da terapia em motricidade orofacial, por meio de treinamento muscular, depende da prescrição de exercícios e para que a mesma seja efetiva, é necessário respeitar os princípios de treinamento muscular. Porém, sabe-se que na literatura científica, estudos sobre o treinamento muscular na face são escassos. Até mesmo trabalhos que citem as metodologias empregadas na terapêutica mioterápica não são frequentes


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